25/07/2018 10:00:00

Vocações Econômicas de Petrópolis – Casos de Sucesso

Gastronomia

Resumo da Mesa Redonda que ocorreu no auditório do Sicomércio em 10 de Maio de 2018 - Chef´s, representantes de Hotéis, Restaurantes e Cozinhas Industriais, além de Produtores e Fornecedores.

Participantes

Maurício Soares - Diretor de Agricultura da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico
Vitor Pizzi – Professor e Dono de Restaurante
Antônio Lo Presti - Chef
Barão – Chef e Dono de Restaurante
Rolf Dieringer – Eng. Agrônomo e Produtor Rural

Introdução

O projeto “A Petrópolis que queremos”, criado pelo IPGPar, tem o objetivo de mobilizar a sociedade civil para a realização de políticas públicas, tendo a participação popular como principal instrumento, através de realização de Mesas Redondas.
Para a Programação de 2018 – 1º semestre, o instituto organizou cinco Mesas Redondas sobre vocações econômicas de Petrópolis, chamando à composição palestrantes considerados casos de sucesso, envolvendo os seguintes temas: Turismo, Tecnologia de Informação, Gastronomia, Cervejaria Artesanal e Moda e Produção de Vestuário.
A finalidade dos eventos é mobilizar sociedade civil em prol da melhoria econômica do Município e a rediscussão das vocações para gerar emprego e renda no sentido de focar e incrementar pontos favoráveis e superar as dificuldades, merecendo a divulgação pela mídia.
O IPGPar conta com o apoio da Solidum (primeiro apoiador na figura de Osmar) e Sicomércio, e a organização dos seus diretores.
Para dar início aos trabalhos, a mesa foi composta por Antônio Lo Presti, Vitor Pizzi, Maurício Soares e Rolf Dieringer. Os palestrantes foram chamados por serem casos de sucesso no ramo de Gastronomia na cidade.

Casos de Sucesso

MAURÍCIO SOARES: Como Diretor de Agricultura da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, pretende restabelecer a relação entre gastronomia e agricultura, conhecendo as comunidades rurais, os agricultores orgânicos e projetos. Ressaltou “Petrópolis Gourmet”, que é a parceria entre a gastronomia e o campo, na figura do produtor rural. A ideia é a aproximação entre os dois polos.

VITOR PIZZI: Formado em Educação Física, desistiu da carreira para seguir no ramo da gastronomia. Estudou em Caxias e na UNIRio. Trabalhou em alguns lugares, fazendo massas, até montar a própria empresa do ramo, que virou restaurante e pizzaria. Deixou a parte da fabricação e abriu um restaurante com grelhados e assados. É professor da rede municipal de gastronomia para inserir as crianças na questão da horta orgânica, onde as crianças plantam, colhem e levam para a casa. Esse trabalho é realizado por crianças sem e com cuidados especiais na rede municipal. Informação complementar do Maurício: o projeto Escola de Agricultura que está sendo montado no Horto do Mercado, financiado pelo Banco do Brasil, pelo serviço nacional de aprendizagem rural.

ANTÔNIO LO PRESTI: Começou no ramo em São Paulo. Foi o primeiro professor de gastronomia num curso de pizza no Luigi. Conheceu o Barão e foi o primeiro professor no seu curso-restaurante em Areal. Ressaltou a importância do Senac. Foi dono da “Di Farina”. Vai abrir um restaurante em Málaga, na Espanha.

BARÃO: Relatou a trajetória da vida pessoal e lembrou do quintal da casa da avó, onde se criava galinha, porco e cultivava a horta, relatando como ponto de partida do seu desejo de seguir no ramo da Gastronomia. Quando fez a opção por Gastronomia, o ramo ainda não era conhecido. Ressaltou a importância na crença do sonho e o foco para alcançá-lo. Dois anos mais tarde, tornou-se responsável pela carta de sobremesa, mas, depois, foi trabalhar no Copacabana Palace, com o chef Dominique Guerin. Estagiou em Paris. Ao retornar ao Brasil, fez parte do Rio Sofitel. Morou em Curitiba e Montivedeo, trabalhando com o Claude Troisgros. Resolveu retornar a Areal e dirigiu uma empresa de avestruz. Alugou um casarão em Areal e inaugurou o restaurante. Trabalhou nas comunidades para ensinar gastronomia junto com Lo Presti. Gastronomia do mundo (outro projeto). Itália, Portugal, Suíça e Alemanha. Foi para Itaipava e abriu um restaurante que leva o seu nome.

ROLF DIERENGER: Agônomo. Produtor agroecológico de palmito. Conheceu grandes especialista de palmito em São Paulo e Santa Catarina. Após tantas tentaivas, conseguiu fazer o plantio com o aipim, levando em consideração as condições climáticas para o cultivo. Hoje, ele tem meio milhão de pés plantados. A ideia principal era trazer algum tipo de produto para reflorestrar e abastacer a população, oferecendo um produto saudável, sem agrotóxico. O aipim é agroecológico e cultivando, de forma sustentável, sem afetar o equilíbrio ecológico, não há pragas. Ressaltou a importância do equilíbrio ecológico na segurança alimentar e na garantia de qualidade de vida. Não basta ser orgânico. Precisa-se desenvolver produto de qualidade. Agroecologia não é o suficiente, pois precisa estar associada à boa tecnologia para fins de conservação de alimentos e retorno econômico.

Tópicos s serem trabalhados e que foram ponto comum entre palestrantes e público:

1. O Turismo como vocação econômica principal do Município de Petrópolis, que precisa ser incrementado e tratado como elo para as demais vocações econômicas. Uma cidade atraente, bem organizada, com ambiente agradável, eventos durante o ano e um comércio aberto e receptivo aos turistas nos finais de semana, inclusive nos domingos.

2. Necessidade do empresariado formar associações, como fez o comércio da Rua 16 de Março, em propor ou exigir do Poder Público melhoria no ambiente urbano como segurança nas ruas, possibilidades de criação de eventos a exemplo do Natal Imperial.

3. Uma interconectividade entre produtores rurais, hotéis e restaurantes em Petrópolis.

4. A necessidade de formar um polo entre os produtores orgânicos (há dez associações de produtores rurais, tendo uma Associação de Produtores Orgânicos de Petrópolis -APOP) e o ramo da gastronomia.

5. Potencial econômico sustentável que se pode extrair da relação entre a agricultura orgânica e os empresários.

6. Necessidade de fomento à produção de alimentos orgânicos.

7. Educação Ambiental para desenvolver uma cultura sustentável e, com isso, ajuda Petrópolis, que já é uma potencial referência em produtos orgânicos numa oportunidade de trabalho para a população local.

8. Fazer do Horto continuar como ponto de comércio orgânico. Apoiar o empenho do Diretor da Agricultura da Secretaria de Desenvolvimento Econômico conseguir da EMPRAPA a limitação de prazo para certificado de produtor rural.

9. O IPGPar precisa promover uma reunião entre o pessoal da Gastronomia, o Diretor da Agricultura e a Fiocruz, que está com um projeto Fortalecimento de Agricultura Orgânica para o financiamento à agricultura orgânica em 1,5 milhão de reais. Acompanhar de perto esse projeto.

10. Vamos acompanhar de perto o processo da elaboração da lei municipal sobre o Serviço de Inspeção Municipal (S.I.M.).

Potencial econômico sustentável de Petrópolis

Eu ressaltei o aspecto ambiental (ressaltei o curso de Gestão Ambiental Participativa, que ministrei, dentro do instituto) presente no Município de Petrópolis nas dimensões natural, econômica e cultural, o que faz a cidade ser um atrativo turístico, pois a temática sustentável veio à tona durante apresentação dos palestrantes.

Lo Presti complementou o papel da Educação, começando pelas crianças através do hábito de consumir alimentos saudáveis, logicamente, orgânicos. Ressaltou também a possibilidade dos empresários comprarem a ideia de estreitar a relação entre o restaurante e a produção de orgânicos. A questão sustentável pode ser uma estratégia de mercado como um diferencial.

O Maurício informou que a maior produção de orgânicos está em Petrópolis. O Município está pleiteando a propriedade intelectual como identidade.

Município necessita de mais eventos que atraiam turistas como marca. Ex.: a Festa do Pinhão em Campos do Jordão e a Ceresta em Conservatório.

Vale ressaltar o posicionamento de Rolf Dieringer sobre a produção agroecológica ao afirmar que o reflorestamento deve acompanhar o tipo de plantio para saber o que a pessoa precisa comer, concretizando assim a sua função socioambiental para a recuperação ambiental, que precisa ser sustentável, pois atende as necessidades vitais da população como saúde, trabalho e qualidade de vida num ambiente ecologicamente equilibrado.

Sugestão

Dentro do projeto da integração das vocações econômicas de Petrópolis, sugiro ao grupo pensar numa Gestão Ambiental Participativa, envolvendo e até potencializando a aproximação dos profissionais de Gastronomia com os produtores rurais.

O ideal é conversar com o grupo no dia da reunião, pois Petrópolis pode ser um diferencial como o polo de economia sustentável, onde pode conciliar desenvolvimento econômico, qualidade de vida e inclusão social.

As necessidades de uma cultura de orgânicos, de mobilização social, através de associação e diálogo entre os profissionais do ramos de gastronomia e produtores rurais, tomaram força durante o evento.

Por essa razão, a sustentabilidade ambiental, tema que envolve as dimensões econômicas, sociais e culturais, precisa ser trabalhada.

Participação social e sustentabilidade andam juntas.

 

Redação: Ramiro Farjalla Ferreira

 

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